Na última sexta-feira, 16 de abril, o Grupo de Trabalho Política de Classe para as questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), da Adufpa, realizou um momento virtual de acolhimento, fortalecimento e trocas de experiências entre as educadoras de diversas unidades e campi da UFPA para falar sobre “Trabalho docente e Ensino Remoto: Desafios em tempos de Pandemia”.

O evento contou com expressiva participação de docentes que atuam no ensino, pesquisa e extensão universitária, que aproveitaram a ocasião para desabafar os efeitos negativos que estão vivendo diante de tantas mudanças ocorridas desde 2020 com o início da pandemia e a implementação do Ensino Remoto Emergencial (ERE).

“O começo do ERE foi um processo traumático, que deixou tudo nas nossas mãos... a gente precisou se virar, criar estrutura que não havia, comprar equipamentos… Eu vivi processos muito difíceis, chorei muito! Chegou um momento que achei que não ia dar conta. Eu sou psicóloga, mas cheguei a dizer para minha psicóloga que meus recursos para lidar com a situação tinham se esgotado, precisava de uma ajuda externa. Se eu pudesse eu sairia da universidade hoje, ou melhor, teria saído meses atrás quando começou esse processo” desabafou uma das professoras universitárias.

Foram muitos os relatos sobre a forma violenta como a pandemia e o ERE se instalaram no “novo normal” da docência. No que diz respeito às mulheres, a jornada que muitas vezes já era tripla (professora, mãe e dona de casa) ou quádrupla, no caso das docentes estudantes de pós-graduação, se tornou mais difícil sendo tudo isso no mesmo ambiente físico, no seio doméstico, sem estrutura tecnológica e sem treinamento para lidar com as novas linguagens, formatos e aplicativos online, pois tudo se deu na urgência e em meio ao medo/caos gerado pela disseminação da Covid-19.

Outro ponto de angústia partilhado pelas professoras, diz respeito aos alunos “sem rosto” das salas online. Um ambiente marcado pela frieza e pelo distanciamento, que inclusive, prejudica em essência o ensino-aprendizagem.  “Você não se desloca, você não toca as coisas, as pessoas, fica uma sensação de vazio... parece que não estamos fazendo muita coisa, mas quando tomamos consciência do tanto de coisas que fazemos, ficamos surpresas” afirmou outra docente.

Apesar das muitas dificuldades partilhadas, o sentimento que tomou conta da roda foi de acolhimento, fortalecimento e gratidão pelo espaço de diálogo e debate criado pelo GT. Novos encontros irão ocorrer, neste primeiro momento de forma remota, mas várias professoras também mencionaram a necessidade de se ampliar as ações com organização de um coletivo de mulheres que reúna além das docentes, também as demais companheiras estudantes e técnicas administrativas para avançar na auto organização por equidade de direitos e contra o machismo institucional presente na UFPA, e, inclusive, no próprio movimento sindical, que ainda é um ambiente em disputa para as mulheres.

“Cada companheira que vem para a luta junto ao movimento docente é uma protagonista para transformar esse ambiente em algo cada vez mais acolhedor às mulheres e justo às pautas de gênero. Aguardem, pois em maio nos encontraremos em mais uma roda para seguir discutindo temas importantes do universo das mulheres docentes e da luta sindical” afirma a coordenadora do GT, Dalva dos Santos.

O GTPCEGDS se consolidou em novembro de 2019, com a participação da Coordenadora e Diretora de Interiorização da Adufpa, na comissão nacional que elaborou a Cartilha de Combate ao Racismo, lançada no mesmo ano, no Auditório do Iced, com o compromisso de atuar na formação sobre a temática em outros campi da UFPA.